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TDAH em Adultos: Entendendo o Transtorno e Seus Impactos

Foto do escritor: Dr. Galiano Brazuna Moura
Dr. Galiano Brazuna Moura
30 de ago.
4 min de leitura

Atualizado: 18 de set.

O que é TDAH?


O TDAH, ou Transtorno de Déficit de Atenção com Hiperatividade, é um transtorno do neurodesenvolvimento que afeta as funções executivas. Essas funções são essenciais para planejar, iniciar, sustentar, inibir e organizar o comportamento ao longo do tempo. O diagnóstico é clínico, baseado na história de vida do paciente, e não existe exame de sangue ou imagem que o confirme.


A palavra "déficit" pode ser enganadora. Ela sugere uma falta de atenção, mas o problema real é a alocação da atenção. Às vezes, a atenção está em excesso, mas não se direciona para o que é necessário no momento certo. Isso resulta em situações confusas, como esquecer o café enquanto se mergulha em uma tarefa por horas.


Sintomas do TDAH em Adultos


Os sintomas mais comuns em adultos incluem:


  • Desatenção persistente

  • Dificuldade em iniciar e concluir tarefas

  • Desorganização crônica

  • Esquecimentos frequentes

  • Procrastinação

  • Impulsividade em decisões e falas

  • Inquietação interna

  • Instabilidade emocional


A hiperatividade que se observa na infância muitas vezes se transforma em uma sensação constante de agitação interna na vida adulta.


Diagnóstico e Avaliação


O diagnóstico de TDAH é feito por médicos, geralmente psiquiatras. Eles realizam uma avaliação detalhada que inclui a reconstrução da história escolar, revisão de boletins antigos e investigação de fatores como sono e uso de substâncias. Escalas como a ASRS ajudam a organizar a conversa, mas não são suficientes para fechar um diagnóstico.


Tratamento do TDAH


O tratamento do TDAH pode incluir medicação, psicoterapia e mudanças na rotina. No Brasil, existem duas classes principais de medicamentos: os estimulantes e os não estimulantes. Os estimulantes, como metilfenidato e lisdexanfetamina, são os mais utilizados e exigem receita médica.


Tratamentos Não Medicamentosos


Existem tratamentos não medicamentosos que têm eficácia comprovada, como terapia cognitivo-comportamental adaptada ao TDAH, treino de habilidades organizacionais e exercícios físicos regulares. Esses tratamentos funcionam melhor quando combinados com medicação.


A Importância do Diagnóstico


Um diagnóstico preciso é fundamental. Ele não apenas identifica o transtorno, mas também ajuda a entender o que está mantendo a pessoa em um estado de dificuldade. Muitas vezes, fatores como sono insuficiente, ansiedade não tratada ou um ambiente de trabalho incompatível podem agravar os sintomas.


TDAH e Comorbidades


O TDAH frequentemente coexiste com outras condições, como ansiedade e depressão. Tratar apenas os sintomas do TDAH sem abordar essas comorbidades pode resultar em um tratamento ineficaz.


Conclusão


O TDAH é uma condição complexa que afeta a vida de muitas pessoas. O tratamento deve ser individualizado e considerar não apenas os sintomas, mas também os fatores que mantêm o quadro. A compreensão e o suporte adequados podem fazer uma grande diferença na vida de quem vive com TDAH.


Homem pensativo no laptop, cercado por post-its sobre TDAH: Não é preguiça, é funcionamento do cérebro.

Perguntas Frequentes


TDAH tem cura?

Não. É uma condição do neurodesenvolvimento que acompanha a pessoa ao longo da vida. O tratamento pode controlar os sintomas de forma eficaz.


Quem tem TDAH é mais inteligente?

Não há relação direta entre TDAH e inteligência. O transtorno pode aparecer em todas as faixas de capacidade intelectual.


O que é hiperfoco?

É a capacidade de se concentrar intensamente em uma atividade, perdendo a noção do tempo. Isso não contradiz o diagnóstico, mas é uma manifestação da dificuldade em regular a atenção.


Qual é o CID do TDAH?

Na CID-10, corresponde ao F90. Na CID-11, ao código 6A05. A escolha do código correto é responsabilidade do médico.


Todo mundo tem um pouco de TDAH?

Não. O transtorno exige um número mínimo de sintomas, início na infância e prejuízo funcional significativo.


Suplementos ajudam no TDAH?

Nenhum suplemento substitui o tratamento. Corrigir deficiências reais pode melhorar energia e humor, mas não trata os sintomas nucleares.


Posso tomar o remédio só nos dias em que preciso render?

Isso deve ser discutido com o médico. Algumas medicações permitem esquemas flexíveis, outras não.


Quanto tempo leva para o tratamento fazer efeito?

Os estimulantes agem rapidamente, mas encontrar a medicação e a dose certas pode levar algumas semanas.


Fontes

  1. Simon V, Czobor P, Bálint S, Mészáros A, Bitter I. Prevalence and correlates of adult attention-deficit hyperactivity disorder: meta-analysis. British Journal of Psychiatry, 2009.

  2. American Psychiatric Association. Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais — DSM-5-TR, 2022.

  3. Organização Mundial da Saúde. Classificação Internacional de Doenças — CID-11, código 6A05.

  4. Cortese S et al. Comparative efficacy and tolerability of medications for ADHD in children, adolescents, and adults: systematic review and network meta-analysis. Lancet Psychiatry, 2018.

  5. Brasil. Portaria SVS/MS nº 344, de 12 de maio de 1998 — regulamento técnico sobre substâncias sujeitas a controle especial.

  6. Kooij JJS et al. Updated European Consensus Statement on diagnosis and treatment of adult ADHD. European Psychiatry, 2019.

  7. Dalsgaard S, Østergaard SD, Leckman JF, Mortensen PB, Pedersen MG. Mortality in children, adolescents, and adults with attention deficit hyperactivity disorder: a nationwide cohort study. The Lancet, 2015.


Sobre o autor

Dr. Galiano Brazuna Moura — médico psiquiatra. CRM/SP 106848 · RQE 67687 (Psiquiatria) · RQE 676871 (Psiquiatria da Infância e Adolescência). Residência em Psiquiatria pela FAMEMA e em Psiquiatria da Infância e Adolescência pela FMRP-USP, com formação em psicofarmacologia pelo NEI (Califórnia). Atende em São José dos Campos.


Este texto tem finalidade informativa e não substitui avaliação médica individual. Se você se reconheceu na descrição acima, o passo seguinte é uma consulta — não um autodiagnóstico.

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